terça-feira, 29 de novembro de 2011

Então, que seja.

E todo pôr do sol terá para sempre o teu cheiro? E todas as vodkas terão para sempre o teu gosto? Todos os gostos terão sempre as tuas lágrimas? E todas as lágrimas refletirão sempre o teu rosto? E todo sorriso lembrará a tua graça? E toda graça trará sempre teus mistérios? E todo mistério ecoará sempre o teu desejo? E todo desejo buscará a sua boca? E toda boca insinuará sempre o teu prazer? Todo prazer buscará sempre o teu toque? E todo toque procurará sempre o teu cheiro?
E como há de ser? 
Tudo assim, matando-me aos poucos? Uma morte lenta perdida nas minhas memórias misericordiosas. Uma morte lenta vagando nessa minha saudade embrutecida. Uma dor insuportavelmente doce. Por que emana daquilo que te envolve. Emana dos meus olhos. Olhos que não mais te vêem, mas se perdem na miragem da tua onipresença. Emana dos meus pelos. Pelos que ainda dançam num arrepio ininterrupto se a boca chamar teu nome. Uma dor insuportavelmente doce porque emana daquilo que deságua em ti. Emana da minha boca. Boca que se morde de desejo que emerge na tua ausência. Emana da minha boca. Boca saliva por cada vontade que me acomete sem pudor.

Então, que seja. 
Deletérios suaves. Morte lenta. Hei de embriagar. Entre vodkas e por do sol. Hei de embriagar. No sumo de prazer que ainda goteja pelo meu corpo em silêncio, quando sinto teu cheiro tão ausente. Hei de fazer girar esse meu mundo que parou desde que última vez que ouvir o teu suspirar. Embriagando como quem bebe sussurros secretos de amor. Amor desinteressado e intenso. Amor que sucumbiu diante o medo de perder. E perdeu. Amor que não sabe responder, porque não aprendeu a perguntar.

E como há de ser? Então, que seja.
Hei de ver todo o pôr do sol para lembrar. Hei de beber todas as vodkas pra esquecer.

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